Dia da Amazônia: como o Brasil mede o desmatamento com satélites e qual a diferença entre Prodes e Deter

Às vésperas do Dia da Amazônia, celebrado em 5 de setembro, uma pergunta volta ao centro do debate: como sabemos quanto da floresta está sendo derrubada? A resposta vem do espaço. Desde o fim dos anos 1980, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) monitora a Amazônia com imagens de satélite, em sistemas que se tornaram referência internacional e base para políticas públicas, fiscalização, acordos comerciais e negociações climáticas.

Resumo rápido
- Prodes: taxa anual oficial de desmatamento, desde 1988.
- Deter: alertas quase diários para a fiscalização, desde 2004.
- Ano do Prodes: de 1º de agosto a 31 de julho.
- Dados abertos: plataforma TerraBrasilis, do Inpe.
- Outros monitores: MapBiomas e Imazon produzem dados independentes.
Prodes: a taxa oficial
O Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes) mede, desde 1988, o desmatamento por corte raso — a remoção completa da vegetação nativa. Analistas examinam imagens de satélites como o Landsat, o CBERS (sino-brasileiro) e o Sentinel, identificando áreas de floresta que foram derrubadas desde o ano anterior. O sistema considera polígonos a partir de 6,25 hectares.
O período de medição vai de 1º de agosto a 31 de julho, acompanhando a estação seca, quando há menos nuvens e melhores imagens. Uma estimativa preliminar costuma ser divulgada no fim do ano, e o número consolidado sai no ano seguinte. A série histórica mostra o pico de mais de 27 mil km² em 2004, a forte queda até 2012, a retomada da alta até 2021 e novas quedas a partir de 2023. No período de agosto de 2023 a julho de 2024, a taxa ficou em pouco mais de 6 mil km², uma das menores da década.
Deter: os alertas para a fiscalização
O Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter), criado em 2004, usa satélites com maior frequência de passagem, mas menor resolução, para produzir alertas quase diários de desmatamento e degradação florestal, como queimadas e extração de madeira. Os alertas são enviados ao Ibama e a outros órgãos de fiscalização, que planejam operações a partir deles.
| Característica | Prodes | Deter |
|---|---|---|
| Finalidade | Taxa anual oficial | Alertas para fiscalização |
| Frequência | Anual | Quase diária |
| Precisão | Alta | Menor; indica tendências |
| O que detecta | Corte raso | Corte raso e degradação |
| Início | 1988 | 2004 |
Um erro comum é comparar diretamente os números do Deter com os do Prodes. Os alertas servem como indicador de tendência, mas a taxa oficial é a do Prodes.
Por que os dados importam
- Fiscalização: os alertas orientam operações contra desmatamento ilegal, embargos e multas.
- Crédito rural: bancos consultam dados de embargo e desmatamento antes de conceder financiamentos — veja como funciona o Plano Safra.
- Comércio: compradores internacionais exigem comprovação de origem livre de desmatamento, o que impulsiona a rastreabilidade do gado.
- Clima: o desmatamento é a principal fonte de emissões de gases de efeito estufa do Brasil, tema central da COP30, em Belém.
Além da Amazônia
O Inpe expandiu o monitoramento para o Cerrado, bioma que perdeu grande parte de sua vegetação original e que, em anos recentes, chegou a registrar taxas de desmatamento superiores às da Amazônia. Iniciativas independentes, como o MapBiomas, produzem mapas anuais de cobertura e uso da terra para todos os biomas, e o Imazon mantém um sistema próprio de alertas. A existência de múltiplas fontes, com metodologias transparentes, reforça a credibilidade dos dados.
Desmatamento e fogo
O desmatamento e as queimadas estão intimamente ligados: após a derrubada, a vegetação costuma ser queimada para limpar a área. Por isso, o período seco, entre agosto e outubro, concentra focos de calor na Amazônia. Veja nossa reportagem sobre queimadas na estação seca e sobre o papel do El Niño nas secas amazônicas.
Como consultar
Qualquer pessoa pode acessar os dados na plataforma TerraBrasilis, do Inpe, que oferece mapas interativos, séries históricas e filtros por estado e município. Pesquisadores, jornalistas e cidadãos usam essas informações para acompanhar o que acontece em suas regiões — um exemplo de como dados públicos e transparentes fortalecem o debate democrático.
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Perguntas frequentes
Qual a diferença entre Prodes e Deter?
O Prodes calcula a taxa anual oficial de desmatamento por corte raso na Amazônia Legal, com alta precisão. O Deter é um sistema de alertas rápidos, quase diários, usado para orientar a fiscalização. Os números do Deter não substituem a taxa oficial do Prodes.
Qual é o período de medição do Prodes?
O Prodes mede o desmatamento entre 1º de agosto de um ano e 31 de julho do ano seguinte, período que acompanha a estação seca, quando há menos nuvens sobre a floresta.
Quem produz os dados de desmatamento no Brasil?
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Organizações independentes, como o Imazon e o MapBiomas, também produzem monitoramentos próprios.
Os dados do Prodes são públicos?
Sim. Os dados e mapas estão disponíveis na plataforma TerraBrasilis, do Inpe, e podem ser consultados por qualquer pessoa.
O Prodes monitora outros biomas?
Sim. Além da Amazônia, o Inpe passou a monitorar o Cerrado e outros biomas brasileiros, com metodologias adaptadas a cada tipo de vegetação.