Quantas horas de sono um adulto precisa? O que dizem os especialistas e como melhorar as noites

Quantas horas de sono um adulto precisa? O que dizem os especialistas e como melhorar as noites

Em meio a jornadas longas, telas acesas até tarde e rotinas aceleradas, dormir bem virou um desafio para boa parte dos brasileiros. Pesquisas nacionais e internacionais mostram que uma parcela expressiva dos adultos dorme menos do que o recomendado ou relata sono de má qualidade. Especialistas em medicina do sono alertam que o problema vai muito além do cansaço: a privação crônica de sono está associada a doenças cardiovasculares, diabetes, obesidade, depressão e acidentes.

Mulher dormindo com o rosto apoiado em travesseiro branco
Sono de qualidade é tão importante para a saúde quanto alimentação e atividade física — Imagem: rachel CALAMUSA at the Wayback Machine / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

Resumo rápido

  • Adultos (18 a 64 anos): 7 a 9 horas por noite.
  • Idosos (65+): 7 a 8 horas.
  • Adolescentes: 8 a 10 horas.
  • Regularidade de horários é tão importante quanto a duração.
  • Ronco alto e sonolência diurna podem indicar apneia — procure avaliação.

Quanto dormir em cada fase da vida

As recomendações mais usadas no mundo são as da National Sleep Foundation, dos Estados Unidos, elaboradas por um painel de especialistas, e são semelhantes às da Academia Americana de Medicina do Sono. No Brasil, a Associação Brasileira do Sono adota referências equivalentes.

Faixa etáriaHoras recomendadas por dia
Recém-nascidos (0 a 3 meses)14 a 17
Bebês (4 a 11 meses)12 a 15
Crianças de 1 a 2 anos11 a 14
Crianças de 3 a 5 anos10 a 13
Crianças de 6 a 13 anos9 a 11
Adolescentes (14 a 17 anos)8 a 10
Adultos (18 a 64 anos)7 a 9
Idosos (65 anos ou mais)7 a 8

O que acontece quando dormimos pouco

Durante o sono, o organismo realiza processos essenciais: consolidação da memória, regulação hormonal, reparo de tecidos e “limpeza” de resíduos metabólicos do cérebro. Quando o sono é curto ou fragmentado, esses processos ficam comprometidos. Estudos associam a privação crônica a:

  • aumento do apetite e ganho de peso, por alteração de hormônios como leptina e grelina;
  • maior resistência à insulina e risco de diabetes tipo 2;
  • elevação da pressão arterial e do risco cardiovascular;
  • queda da imunidade — o que reforça a importância de manter a vacinação em dia nos meses frios;
  • irritabilidade, ansiedade e sintomas depressivos;
  • pior atenção e reflexos, com aumento do risco de acidentes de trânsito e de trabalho.

Insônia e apneia: quando procurar ajuda

A insônia é a dificuldade de iniciar ou manter o sono, ou despertar precoce, com prejuízo durante o dia, por pelo menos três noites por semana ao longo de três meses. O tratamento de primeira linha recomendado por entidades médicas é a terapia cognitivo-comportamental para insônia, que costuma ter efeito mais duradouro que remédios.

A apneia obstrutiva do sono é caracterizada por pausas repetidas na respiração durante a noite. É mais comum em homens, pessoas com excesso de peso e com o avanço da idade, mas pode afetar qualquer um. Sem tratamento, aumenta o risco de hipertensão, arritmias, infarto e AVC. O diagnóstico é feito por polissonografia, e o tratamento pode incluir aparelhos de pressão positiva (CPAP), dispositivos intraorais e mudanças de hábitos.

10 hábitos de higiene do sono

  1. Durma e acorde nos mesmos horários, inclusive nos fins de semana.
  2. Exponha-se à luz natural pela manhã, o que ajuda a regular o relógio biológico.
  3. Pratique atividade física regularmente, mas evite exercícios intensos perto da hora de deitar. Uma caminhada ou corrida leve pela manhã é uma boa opção.
  4. Evite cafeína à tarde e à noite (café, chá preto, refrigerantes à base de cola, energéticos).
  5. Não use álcool como indutor do sono: ele fragmenta o sono na segunda metade da noite.
  6. Faça refeições leves à noite.
  7. Mantenha o quarto escuro, silencioso e com temperatura agradável.
  8. Desligue telas de 30 a 60 minutos antes de deitar.
  9. Use a cama apenas para dormir e para a vida sexual; evite trabalhar ou ver séries deitado.
  10. Se não conseguir dormir em cerca de 20 minutos, levante-se, faça algo tranquilo com pouca luz e volte quando sentir sono.

Sono e tecnologia

Relógios e aplicativos que monitoram o sono se popularizaram, mas especialistas alertam para a “ortossonia” — a ansiedade de alcançar métricas perfeitas, que pode piorar a insônia. Os dados desses aparelhos são estimativas e não substituem avaliação médica. No caso de crianças e adolescentes, o uso de telas à noite é uma das principais causas de sono insuficiente; conhecer a classificação indicativa e estabelecer regras familiares ajuda a proteger o descanso dos mais jovens.

Reportagem de caráter informativo. Em caso de problemas persistentes de sono, procure um médico.

Perguntas frequentes

Quantas horas de sono um adulto precisa?

Entidades de medicina do sono recomendam que adultos de 18 a 64 anos durmam de 7 a 9 horas por noite. Para pessoas com 65 anos ou mais, a faixa recomendada é de 7 a 8 horas.

Dormir 6 horas por noite é suficiente?

Para a maioria dos adultos, não. Dormir regularmente menos de 7 horas está associado a pior desempenho cognitivo, alterações de humor e maior risco de doenças crônicas. Uma pequena parcela da população tem necessidade naturalmente menor, mas isso é raro.

É possível recuperar o sono no fim de semana?

Dormir mais no fim de semana ajuda a reduzir parte do cansaço, mas não compensa totalmente a privação crônica e pode desregular o relógio biológico. O ideal é manter horários regulares todos os dias.

Quais são os sinais de apneia do sono?

Ronco alto e frequente, pausas na respiração observadas por outra pessoa, engasgos noturnos, sonolência excessiva durante o dia, dor de cabeça ao acordar e dificuldade de concentração. O diagnóstico é feito por exame de polissonografia.

Usar o celular antes de dormir atrapalha o sono?

Sim. A luz das telas e, principalmente, o estímulo do conteúdo mantêm o cérebro em alerta e podem atrasar o início do sono. Especialistas recomendam desligar as telas de 30 a 60 minutos antes de deitar.

Fontes consultadas

Lucas Carvalho

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