Pé-de-Meia: como funciona o incentivo para estudantes do ensino médio, quem recebe e quanto é pago

Pé-de-Meia: como funciona o incentivo para estudantes do ensino médio, quem recebe e quanto é pago

Criado para enfrentar um dos maiores gargalos da educação brasileira — a evasão no ensino médio —, o programa Pé-de-Meia chega ao seu terceiro ano de funcionamento pagando incentivos financeiros a milhões de estudantes de baixa renda. A lógica é simples: o aluno recebe dinheiro para se matricular, frequentar as aulas, ser aprovado e fazer o Enem. Parte do valor fica guardada em uma poupança que só pode ser sacada após a conclusão da etapa.

Sala de aula de escola pública com carteiras e quadro
Evasão no ensino médio é um dos principais desafios da educação brasileira — Imagem: Agência de Notícias do Acre / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Resumo rápido

  • Público: alunos do ensino médio público de famílias do CadÚnico.
  • Inclusão automática, sem inscrição.
  • R$ 200 de matrícula e parcelas mensais de R$ 200 por frequência.
  • R$ 1.000 por ano concluído, sacáveis após a formatura.
  • R$ 200 extras por participar do Enem.

Por que o programa foi criado

O ensino médio concentra as maiores taxas de abandono e reprovação da educação básica. Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) mostram, ano após ano, que muitos jovens deixam a escola antes de concluir a etapa — frequentemente para trabalhar e ajudar na renda da família. O Pé-de-Meia, instituído pela Lei 14.818, de janeiro de 2024, foi desenhado como um incentivo financeiro-educacional: em vez de competir com o trabalho informal, oferece uma renda condicionada à permanência na escola.

A inspiração vem de programas de transferência condicionada adotados em outros países e de experiências estaduais brasileiras de “poupança escolar”. Pesquisadores da área de educação destacam que incentivos financeiros funcionam melhor quando combinados com melhorias na qualidade da escola, no transporte e na oferta de ensino técnico.

Quem tem direito

  • estudantes de 14 a 24 anos matriculados no ensino médio regular público;
  • estudantes de 19 a 24 anos na Educação de Jovens e Adultos (EJA);
  • pertencentes a famílias inscritas no Cadastro Único, com renda per capita de até meio salário mínimo;
  • com CPF regular.

Beneficiários do Bolsa Família têm prioridade, mas o programa não se limita a eles.

Quanto e quando o estudante recebe

IncentivoValorCondiçãoQuando sacar
MatrículaR$ 200 (uma vez por ano)Estar matriculado no início do ano letivoImediatamente
FrequênciaR$ 200 por parcela (9 parcelas no ano)Frequência mínima de 80% das aulasImediatamente
ConclusãoR$ 1.000 por ano concluídoAprovação ao fim do ano letivoApós concluir o ensino médio
EnemR$ 200 (parcela única)Participar dos dois dias do Enem no 3º anoImediatamente

Somando os três anos, o valor total pode chegar a R$ 9.200 por estudante. As datas de pagamento seguem um calendário divulgado pelo Ministério da Educação, organizado pelo mês de nascimento do aluno.

Como consultar e sacar

A conta é aberta automaticamente na Caixa Econômica Federal, em nome do estudante, e pode ser movimentada pelo aplicativo Caixa Tem. Estudantes menores de 18 anos precisam do consentimento dos responsáveis para movimentar a conta. O acompanhamento também pode ser feito pelo aplicativo Jornada do Estudante, do MEC.

Atenção a golpes: o programa não exige cadastro em sites de terceiros nem pagamento de taxas. Mensagens que pedem dados bancários ou códigos por SMS devem ser ignoradas — veja como se proteger de golpes digitais.

O que dizem os primeiros resultados

O governo federal tem divulgado dados que apontam redução da evasão entre os beneficiários, e redes estaduais relatam melhora na frequência. Especialistas ponderam que avaliações de impacto rigorosas, que comparem grupos semelhantes, levam tempo e são necessárias para medir o efeito real do programa. O Pé-de-Meia também foi alvo de debate orçamentário, já que parte de seu financiamento foi estruturada por meio de um fundo fora do orçamento regular, o que levou a questionamentos do Tribunal de Contas da União e a ajustes na forma de financiamento.

Conexão com o Enem e o ensino superior

O incentivo adicional pelo Enem busca estimular os estudantes a tentarem o ingresso no ensino superior. A nota do exame dá acesso ao Sisu, ao Prouni e ao Fies — veja nosso guia sobre o Enem e as formas de ingresso na universidade. O dinheiro guardado na poupança pode ajudar o jovem nos primeiros meses de faculdade, curso técnico ou na busca pelo primeiro emprego.

Dicas para famílias

  1. Mantenha o Cadastro Único atualizado no CRAS do seu município.
  2. Confira se a escola registrou corretamente o CPF do estudante.
  3. Acompanhe a frequência: faltas acima de 20% bloqueiam a parcela do mês.
  4. Oriente o jovem a guardar o dinheiro de conclusão para objetivos de longo prazo.

Perguntas frequentes

Quem tem direito ao Pé-de-Meia?

Estudantes de 14 a 24 anos matriculados no ensino médio regular da rede pública, de famílias inscritas no Cadastro Único com renda por pessoa de até meio salário mínimo. Alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) de 19 a 24 anos também podem participar.

Quanto o Pé-de-Meia paga?

R$ 200 pela matrícula, parcelas de R$ 200 condicionadas à frequência mínima de 80% das aulas, R$ 1.000 depositados ao fim de cada ano concluído com aprovação e R$ 200 adicionais para quem faz o Enem no 3º ano. O total pode chegar a R$ 9.200 ao longo do ensino médio.

Precisa se inscrever no Pé-de-Meia?

Não. A inclusão é automática, a partir dos dados do Cadastro Único e do censo escolar. Por isso, é importante manter o CadÚnico da família e a matrícula atualizados.

Quando é possível sacar o dinheiro do Pé-de-Meia?

As parcelas mensais de frequência podem ser sacadas assim que depositadas. Os R$ 1.000 anuais de conclusão ficam retidos em poupança e só podem ser sacados após a conclusão do ensino médio.

Onde consultar o Pé-de-Meia?

Pelo aplicativo Jornada do Estudante, do Ministério da Educação, e pelo aplicativo Caixa Tem, onde a conta poupança é aberta automaticamente em nome do estudante.

Fontes consultadas

Juliana Santos

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