Pé-de-Meia: como funciona o incentivo para estudantes do ensino médio, quem recebe e quanto é pago

Criado para enfrentar um dos maiores gargalos da educação brasileira — a evasão no ensino médio —, o programa Pé-de-Meia chega ao seu terceiro ano de funcionamento pagando incentivos financeiros a milhões de estudantes de baixa renda. A lógica é simples: o aluno recebe dinheiro para se matricular, frequentar as aulas, ser aprovado e fazer o Enem. Parte do valor fica guardada em uma poupança que só pode ser sacada após a conclusão da etapa.

Resumo rápido
- Público: alunos do ensino médio público de famílias do CadÚnico.
- Inclusão automática, sem inscrição.
- R$ 200 de matrícula e parcelas mensais de R$ 200 por frequência.
- R$ 1.000 por ano concluído, sacáveis após a formatura.
- R$ 200 extras por participar do Enem.
Por que o programa foi criado
O ensino médio concentra as maiores taxas de abandono e reprovação da educação básica. Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) mostram, ano após ano, que muitos jovens deixam a escola antes de concluir a etapa — frequentemente para trabalhar e ajudar na renda da família. O Pé-de-Meia, instituído pela Lei 14.818, de janeiro de 2024, foi desenhado como um incentivo financeiro-educacional: em vez de competir com o trabalho informal, oferece uma renda condicionada à permanência na escola.
A inspiração vem de programas de transferência condicionada adotados em outros países e de experiências estaduais brasileiras de “poupança escolar”. Pesquisadores da área de educação destacam que incentivos financeiros funcionam melhor quando combinados com melhorias na qualidade da escola, no transporte e na oferta de ensino técnico.
Quem tem direito
- estudantes de 14 a 24 anos matriculados no ensino médio regular público;
- estudantes de 19 a 24 anos na Educação de Jovens e Adultos (EJA);
- pertencentes a famílias inscritas no Cadastro Único, com renda per capita de até meio salário mínimo;
- com CPF regular.
Beneficiários do Bolsa Família têm prioridade, mas o programa não se limita a eles.
Quanto e quando o estudante recebe
| Incentivo | Valor | Condição | Quando sacar |
|---|---|---|---|
| Matrícula | R$ 200 (uma vez por ano) | Estar matriculado no início do ano letivo | Imediatamente |
| Frequência | R$ 200 por parcela (9 parcelas no ano) | Frequência mínima de 80% das aulas | Imediatamente |
| Conclusão | R$ 1.000 por ano concluído | Aprovação ao fim do ano letivo | Após concluir o ensino médio |
| Enem | R$ 200 (parcela única) | Participar dos dois dias do Enem no 3º ano | Imediatamente |
Somando os três anos, o valor total pode chegar a R$ 9.200 por estudante. As datas de pagamento seguem um calendário divulgado pelo Ministério da Educação, organizado pelo mês de nascimento do aluno.
Como consultar e sacar
A conta é aberta automaticamente na Caixa Econômica Federal, em nome do estudante, e pode ser movimentada pelo aplicativo Caixa Tem. Estudantes menores de 18 anos precisam do consentimento dos responsáveis para movimentar a conta. O acompanhamento também pode ser feito pelo aplicativo Jornada do Estudante, do MEC.
Atenção a golpes: o programa não exige cadastro em sites de terceiros nem pagamento de taxas. Mensagens que pedem dados bancários ou códigos por SMS devem ser ignoradas — veja como se proteger de golpes digitais.
O que dizem os primeiros resultados
O governo federal tem divulgado dados que apontam redução da evasão entre os beneficiários, e redes estaduais relatam melhora na frequência. Especialistas ponderam que avaliações de impacto rigorosas, que comparem grupos semelhantes, levam tempo e são necessárias para medir o efeito real do programa. O Pé-de-Meia também foi alvo de debate orçamentário, já que parte de seu financiamento foi estruturada por meio de um fundo fora do orçamento regular, o que levou a questionamentos do Tribunal de Contas da União e a ajustes na forma de financiamento.
Conexão com o Enem e o ensino superior
O incentivo adicional pelo Enem busca estimular os estudantes a tentarem o ingresso no ensino superior. A nota do exame dá acesso ao Sisu, ao Prouni e ao Fies — veja nosso guia sobre o Enem e as formas de ingresso na universidade. O dinheiro guardado na poupança pode ajudar o jovem nos primeiros meses de faculdade, curso técnico ou na busca pelo primeiro emprego.
Dicas para famílias
- Mantenha o Cadastro Único atualizado no CRAS do seu município.
- Confira se a escola registrou corretamente o CPF do estudante.
- Acompanhe a frequência: faltas acima de 20% bloqueiam a parcela do mês.
- Oriente o jovem a guardar o dinheiro de conclusão para objetivos de longo prazo.
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Perguntas frequentes
Quem tem direito ao Pé-de-Meia?
Estudantes de 14 a 24 anos matriculados no ensino médio regular da rede pública, de famílias inscritas no Cadastro Único com renda por pessoa de até meio salário mínimo. Alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) de 19 a 24 anos também podem participar.
Quanto o Pé-de-Meia paga?
R$ 200 pela matrícula, parcelas de R$ 200 condicionadas à frequência mínima de 80% das aulas, R$ 1.000 depositados ao fim de cada ano concluído com aprovação e R$ 200 adicionais para quem faz o Enem no 3º ano. O total pode chegar a R$ 9.200 ao longo do ensino médio.
Precisa se inscrever no Pé-de-Meia?
Não. A inclusão é automática, a partir dos dados do Cadastro Único e do censo escolar. Por isso, é importante manter o CadÚnico da família e a matrícula atualizados.
Quando é possível sacar o dinheiro do Pé-de-Meia?
As parcelas mensais de frequência podem ser sacadas assim que depositadas. Os R$ 1.000 anuais de conclusão ficam retidos em poupança e só podem ser sacados após a conclusão do ensino médio.
Onde consultar o Pé-de-Meia?
Pelo aplicativo Jornada do Estudante, do Ministério da Educação, e pelo aplicativo Caixa Tem, onde a conta poupança é aberta automaticamente em nome do estudante.