ECA Digital é sancionado: o que muda para redes sociais, jogos e aplicativos usados por crianças e adolescentes

ECA Digital é sancionado: o que muda para redes sociais, jogos e aplicativos usados por crianças e adolescentes

O Brasil ganhou uma lei específica para proteger crianças e adolescentes na internet. Sancionado em setembro, o chamado ECA Digital — a Lei 15.211, de 2025 — cria obrigações para redes sociais, aplicativos, jogos eletrônicos e lojas de aplicativos acessados por menores de 18 anos. A lei foi aprovada pelo Congresso após intenso debate público sobre a exposição de crianças a conteúdos nocivos e a exploração comercial de seus dados, e prevê um período de adaptação antes de entrar em vigor.

Criança usando tablet ao lado de um adulto
Nova lei transfere às plataformas parte da responsabilidade pela proteção de menores — Imagem: Intel Free Press / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

Resumo rápido

  • Verificação de idade confiável, não apenas autodeclaração, para conteúdos inadequados.
  • Supervisão parental obrigatória e contas de adolescentes mais novos vinculadas às dos responsáveis.
  • Loot boxes proibidas em jogos para menores.
  • Publicidade direcionada com base em perfilamento de menores vedada.
  • Fiscalização com papel central da ANPD e sanções que incluem multas elevadas.

Por que a lei foi criada

O Estatuto da Criança e do Adolescente, de 1990, foi escrito antes da popularização da internet. Com crianças cada vez mais cedo nas redes, pesquisas como a TIC Kids Online Brasil mostram que a grande maioria dos jovens de 9 a 17 anos usa a internet, muitos deles com perfis em redes sociais mesmo abaixo da idade mínima prevista pelas próprias plataformas. Casos de exploração, adultização, desafios perigosos e golpes envolvendo menores aumentaram a pressão por regras específicas.

O que muda na prática

TemaRegra do ECA Digital
IdadeMecanismos confiáveis de verificação de idade para acesso a conteúdos e serviços inadequados; autodeclaração não basta
Contas de adolescentesContas de menores de 16 anos em redes sociais devem estar vinculadas à de um responsável
PrivacidadeConfiguração padrão com o maior nível de proteção
PublicidadeProibido usar perfilamento e análise emocional para direcionar anúncios a crianças e adolescentes
JogosProibição de loot boxes; controles sobre interação com desconhecidos e compras
Conteúdos ilícitosRemoção de material de exploração e abuso e comunicação às autoridades
Lojas de aplicativosParticipação na verificação de idade e no controle parental

O papel das famílias

A lei não tira a responsabilidade dos pais, mas redistribui o peso: plataformas passam a ter o dever de oferecer ferramentas de supervisão fáceis de usar, como limites de tempo, controle de compras e restrição de contatos. Especialistas em educação digital recomendam que as famílias usem esses recursos combinados com conversa e orientação. A classificação indicativa continua sendo uma referência importante para escolher conteúdos.

Críticas e desafios

Entidades de defesa da infância comemoraram a aprovação. Empresas de tecnologia apontaram desafios técnicos, especialmente na verificação de idade, e especialistas em privacidade alertaram para o risco de coleta excessiva de dados pessoais para comprovar a idade. A regulamentação precisará equilibrar proteção e privacidade, definindo métodos proporcionais. Outro ponto em aberto é a capacidade de fiscalização do Estado diante de plataformas globais.

Sanções

O descumprimento pode levar a advertências, multas elevadas — calculadas com base no faturamento da empresa no Brasil ou em valores fixos — e, em casos graves e reiterados, suspensão temporária ou proibição das atividades no país. A fiscalização terá papel central da Autoridade Nacional de Proteção de Dados, que passou a ter atribuições ampliadas.

O que pais e responsáveis podem fazer desde já

  1. Ative os controles parentais do celular, do console e das plataformas de vídeo.
  2. Configure perfis infantis e restrinja compras dentro de aplicativos.
  3. Converse sobre privacidade: não compartilhar endereço, escola, fotos de uniforme ou rotina.
  4. Ensine a reconhecer golpes digitais e a pedir ajuda diante de contatos estranhos.
  5. Estabeleça horários sem telas, especialmente à noite, para proteger o sono.
  6. Denuncie conteúdos ilegais nos canais das plataformas e em serviços como a SaferNet.

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Perguntas frequentes

O que é o ECA Digital?

É a Lei 15.211/2025, que estabelece regras de proteção de crianças e adolescentes em produtos e serviços digitais, como redes sociais, jogos, aplicativos e lojas de aplicativos. Ela complementa o Estatuto da Criança e do Adolescente para o ambiente on-line.

Quando o ECA Digital entra em vigor?

A lei foi sancionada em setembro de 2025 e prevê um período de adaptação para as empresas antes da vigência, que foi fixada para o primeiro semestre de 2026.

O que muda nas redes sociais?

As plataformas terão de adotar mecanismos confiáveis de verificação de idade, oferecer ferramentas de supervisão parental, vincular contas de adolescentes mais novos à conta de um responsável e configurar por padrão o nível mais alto de proteção de privacidade.

O ECA Digital proíbe loot boxes?

Sim. A lei proíbe a oferta de caixas de recompensa (loot boxes) em jogos eletrônicos destinados a crianças e adolescentes ou com acesso provável por esse público.

Quem fiscaliza o ECA Digital?

A lei atribui a fiscalização à autoridade administrativa definida pelo governo federal, com papel central da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD). As sanções incluem advertência, multas elevadas e, em casos graves, suspensão das atividades.

Fontes consultadas

Juliana Castanheira

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