BRICS: quem são os membros, o que o bloco faz e qual o papel do Brasil após a expansão

BRICS: quem são os membros, o que o bloco faz e qual o papel do Brasil após a expansão

O BRICS deixou de ser apenas uma sigla de mercado financeiro para se tornar um dos principais fóruns políticos do chamado Sul Global. Após duas rodadas de expansão, em 2024 e 2025, o bloco passou a reunir dez membros plenos, que somam cerca de metade da população mundial e uma parcela crescente do Produto Interno Bruto global. Para o Brasil, que presidiu o grupo em 2025, o BRICS é peça central de uma política externa que busca ampliar a influência dos países emergentes nas decisões internacionais.

Líderes e delegações reunidos em sessão plenária de cúpula do BRICS
Cúpulas anuais reúnem chefes de Estado e de governo dos países-membros — Imagem: Press Service of the President of th / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

Resumo rápido

  • Membros fundadores: Brasil, Rússia, Índia e China (2009), com a África do Sul desde 2011.
  • Novos membros: Egito, Etiópia, Irã e Emirados Árabes Unidos (2024) e Indonésia (2025).
  • Países parceiros: categoria criada em 2024, com países como Bolívia, Cuba, Malásia e Vietnã.
  • Instituição financeira: Novo Banco de Desenvolvimento, em Xangai.
  • Não é uma aliança militar nem uma zona de livre comércio.

Da sigla ao bloco

O termo BRIC foi cunhado em 2001 pelo economista Jim O’Neill, então no banco Goldman Sachs, para designar quatro economias emergentes com grande potencial de crescimento. A ideia, inicialmente voltada a investidores, ganhou vida política quando os governos dos quatro países começaram a se reunir. A primeira cúpula de chefes de Estado ocorreu em 2009, em Ecaterimburgo, na Rússia. A África do Sul foi incorporada no ano seguinte e participou de sua primeira cúpula em 2011, quando o grupo passou a se chamar BRICS.

Quem faz parte hoje

PaísEntradaRegião
Brasil2009 (fundador)América do Sul
Rússia2009 (fundador)Europa/Ásia
Índia2009 (fundador)Ásia
China2009 (fundador)Ásia
África do Sul2010/2011África
Egito2024África/Oriente Médio
Etiópia2024África
Irã2024Oriente Médio
Emirados Árabes Unidos2024Oriente Médio
Indonésia2025Sudeste Asiático

A Arábia Saudita foi convidada na cúpula de Joanesburgo, em 2023, mas não formalizou sua adesão plena e participa de encontros de forma seletiva.

O que o BRICS faz na prática

Diferentemente da União Europeia ou do Mercosul, o BRICS não tem tratado constitutivo, secretariado permanente nem regras comerciais comuns. Funciona como um fórum de coordenação política, com cúpulas anuais, reuniões ministeriais e grupos de trabalho em áreas como saúde, energia, agricultura, ciência e comércio.

Sua principal realização institucional é o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB, na sigla em inglês), criado em 2014 e sediado em Xangai, que financia projetos de infraestrutura, energia limpa e saneamento. A ex-presidente Dilma Rousseff comanda a instituição desde 2023. O bloco também criou o Arranjo Contingente de Reservas, um mecanismo de apoio mútuo em crises de balanço de pagamentos.

A questão do dólar

Um dos temas mais debatidos é a redução da dependência do dólar no comércio internacional. Ao contrário do que circula nas redes sociais, não há proposta formal de moeda única do BRICS. O que existe é o incentivo ao uso de moedas locais em transações bilaterais e a discussão de sistemas de pagamento interligados. O tema, porém, gera atritos com os Estados Unidos, que já ameaçaram impor tarifas a países que tentem substituir o dólar.

O papel do Brasil

O Brasil exerceu a presidência rotativa do BRICS em 2025 e sediou a cúpula de chefes de Estado no Rio de Janeiro, em julho daquele ano. A agenda brasileira priorizou temas como cooperação em saúde global, financiamento climático, governança da inteligência artificial e reforma das instituições multilaterais, como o Conselho de Segurança da ONU e o FMI. A pauta climática dialogou diretamente com a COP30, realizada em Belém no fim do mesmo ano. Em 2026, a presidência do bloco passou à Índia.

Diplomatas brasileiros costumam destacar que o país busca usar o BRICS como plataforma de diálogo com potências emergentes sem romper com parceiros tradicionais, como Estados Unidos e União Europeia. Críticos, por outro lado, apontam que a heterogeneidade política do grupo pode gerar custos diplomáticos para o Brasil.

Peso econômico e comercial

A China é, de longe, a maior economia do bloco e o principal parceiro comercial do Brasil, destino de grande parte das exportações brasileiras de soja, minério de ferro, petróleo e carnes. O agronegócio brasileiro depende fortemente desse mercado, o que torna temas como rastreabilidade sanitária do rebanho estratégicos nas negociações.

O que esperar

A expansão aumentou o peso do BRICS, mas também sua diversidade. Os membros têm sistemas políticos, interesses e alianças muito diferentes, o que dificulta consensos. Especialistas em relações internacionais avaliam que o futuro do bloco dependerá da capacidade de transformar declarações em projetos concretos, como financiamentos do NDB e acordos de comércio em moedas locais.

Para o cidadão comum, os efeitos são indiretos, mas reais: acordos comerciais influenciam preços de exportação, emprego no agronegócio e investimentos em infraestrutura. Acompanhar a agenda do bloco ajuda a entender parte das decisões econômicas que afetam o país, como as discutidas na reforma tributária.

Perguntas frequentes

Quais países fazem parte do BRICS?

Os membros plenos são Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Egito, Etiópia, Irã, Emirados Árabes Unidos e Indonésia. A Arábia Saudita foi convidada, mas não formalizou a adesão plena.

O que significa a sigla BRICS?

É a união das iniciais de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (South Africa, em inglês). O termo BRIC foi criado em 2001 pelo economista Jim O’Neill, do banco Goldman Sachs.

O BRICS vai criar uma moeda única?

Não há proposta formal de moeda única. O que o bloco discute é ampliar o uso de moedas locais no comércio entre os membros e criar sistemas de pagamento alternativos, para reduzir a dependência do dólar.

O que é o Novo Banco de Desenvolvimento?

É o banco multilateral criado pelo BRICS em 2014 e sediado em Xangai, na China, que financia projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável em países-membros e economias emergentes.

O que são os países parceiros do BRICS?

É uma categoria criada em 2024 para países que participam de atividades do bloco sem ser membros plenos. Entre eles estão Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Nigéria, Tailândia, Uganda, Uzbequistão e Vietnã.

Fontes consultadas

Juliana Castanheira

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